Manifesto da UNESCO

A sociedade em que vivemos é designada como a sociedade do conhecimento. O usufruto e a aplicação de novas tecnologias e mecanismos comunicacionais constituem um contributo importante para a introdução de novos paradigmas de desenvolvimento. O saber é um pilar fundamental para a competitividade económica e para o bem-estar social. A criatividade transformou-se no factor decisivo na competitividade e desenvolvimento sustentável de comunidades, empresas, cidades e países, onde os mercados amadurecem mais depressa e a complexidade é galopantemente maior.

A qualificação e o conhecimento assumem então vital importância nestes novos tempos sendo o grau de qualificação das populações o grande elemento diferenciador das sociedades desenvolvidas nos dias de hoje. O conhecimento, tendo uma forte dimensão humana, social e económica, é um importante vector para qualquer processo de progresso e desenvolvimento.
A história da evolução do Homem confunde-se com a própria história da comunicação. Hoje, são cada vez mais e em maior número os instrumentos existentes que possibilitam uma melhor comunicação e uma significativa redução das acessibilidades e do espaço temporal.

O Mundo apresenta hoje mais e maiores desafios. As ferramentas que um processo de desenvolvimento tecnológico proporciona exigem que as sociedades estejam aptas a responder a estas inovações. Só assim será possível a uma comunidade acompanhar um processo integrado de desenvolvimento.

Será, por isso, importante reforçar, gradualmente, a importância da proximidade das novas tecnologias e da inovação e conhecimento junto das populações porque, a breve prazo, quem não dominar estes novos conceitos não será um infoexcluido mas sim um analfabeto.

A evolução dos tempos mostra-nos razões para a existência de disparidades entre estratos sociais, entre cidadãos, entre comunidades e, até mesmo, entre sociedades como o enfraquecimento dos princípios de igualdade que estruturam as dinâmicas sociais, as diferenças de rendimento, de despesas, de património ou de acesso à Educação ou aos cuidados de saúde, a localização geográfica do local onde cada cidadão vive, o crescimento de novas formas de desigualdades correlacionados com as evoluções tecnológicas, económicas ou sociais ou as crescentes tendências de novos proteccionismos nacionalistas.

Qualquer projecto político deve ter como pressuposto basilar o gradual e progressivo equilíbrio social entre todos os cidadãos, onde todos têm acesso aos benefícios proporcionados pelo sistema.

Este conceito de desenvolvimento sustentável deve ser desenvolvido através de processos de índole social, cultural, económica ou política que devem ter a capacidade de diminuir as disparidades e o fosso entre cada indivíduo.

Para Peter Drucker, um dos gurus da gestão deste tempo, os empreendedores de sucesso não revelam uma qualquer personalidade especial, mas um empenhamento pessoal numa prática sistemática de inovação. Daqui depreende-se que não existe um perfil. É sim, necessário haver empenho e muito trabalho de quem quer impor as suas ideias e de quem as quer transformar num negócio rentável.

Nos dias de hoje, qualquer País ou Região têm de se fazer valer das competências e capacidades das suas pessoas enquanto forças motrizes de um desenvolvimento sustentável, com impacto positivo no crescimento adequado de qualquer comunidade.

A leitura compete hoje com práticas culturais hegemónicas como a televisão e também com práticas sociais determinantes para o bem-estar das pessoas. Existem necessidades e actividades básicas que se assumem como grandes organizadores do quotidiano tais como o trabalho ou a escola, o sono, a lida da casa e o tempo com os amigos e com a família. Estas actividades assumem particular relevo ao contribuir para uma estabilidade pessoal, afectiva e financeira.

Se, por um lado, estas são actividades que se contrapõem ao tempo que poderia ser fruído de uma outra forma, ou utilizado em actividades como a leitura ou a frequência de espaços culturais, são, por outro lado, práticas que poderão encontrar, nos serviços e centros de informação e comunicação, parceiros de acção e espaços alternativos de usufruto e bem-estar sócio – cultural.


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