n. Fundada/Vila de Rei, 1923
m. Lisboa, 1999
Ingressou em 1940 na Companhia de Jesus, tendo-se licenciado em Filosofia
pela Faculdade Pontifícia de Braga. É doutor pela Faculdade de Burgos
(Espanha).

Poeta e crítico, mas também cronista e ficcionista, tem colaborado regularmente
na revista Brotéria, de que é um dos principais redactores, e em outras
publicações, nomeadamente a revista Colóquio e o jornal Renovador, da Sertã.
Mantém além disso, na Rádio Renascença, um programa semanal de crítica
literária. A sua poesia, pouco aberta a inovações formais e geralmente
apoiada na rima, mereceu todavia de Jorge de Sena os epítetos de “suave e
inteligente, meditativa e singela”.
Natural de Monte Novo, freguesia da Fundada.
Nasceu no seio de uma família profundamente cristã, em que eram cinco filhos
e os pais dedicavam-se à agricultura. A quarta classe foi feita na Fundada.
Ia para o Abrunheiro a pé com quatro quilos de livros às costas “na altura não
era comum os ricos mandarem os filhos para a escola, porque precisavam deles
para trabalhar”. Os pais na altura foram criticados por mandarem um filho
para tão longe.
Seguiu para a Companhia de Jesus, em Guimarães, por influência do Pe Aparício.
Esteve em Maceira de Câmara alguns anos, Guimarães e depois Espanha.
Recordações da família
Depois de ser ordenado veio celebrar a primeira missa à Fundada. A sua mãe
não pôde assistir porque tinha sido operada a uma apendicite e estava
internada no hospital de Abrantes. Depois da missa ele foi vê-la. Chegou a
casa e “chorava, só chorava” porque o médico lhe disse que a mãe não teria
mais de um mês de vida.
Foi durante trinta anos diabético e levava insulina diariamente. Morreu cego.
No dia em que fazia anos (ou véspera) – em Lisboa, 14 Junho de 1999 e foi
sepultado no cemitério da Fundada.
Pediu para que não lhe colocassem laje em cima, pois dizia que “para carregar
o peso da vida já tinha carregado bem a parte dele”.
Os seus dotes de conversador eram inumeráveis e inesgotáveis.
O Pe João Maia exerceu um magistério cultural e espiritual de enorme
irradiação e alcance. Era um conhecedor exímio da literatura e da cultura
greco-latinas. Obras como a Eneida, a Ilídia, a Odisseia ou os Diálogos de
Platão foram-lhe em permanência livros de cabeceira, manuseando-os na língua
original. Era também um grande conhecedor de línguas e literaturas modernas –
caso das castelhanas, inglesas e francesas, dominando com mestria a língua
materna e suas origens, tanto na sua vertente popular como erudita.
O Pe João Maia foi colaborador mensal, durante cerca de cinquenta anos, na
Revista Brotéria (valiosa no campo da Teologia, Filosofia, Literatura e
História, com destaque para a história da Companhia de Jesus), especialmente
no campo da crítica literária, mas também noutros: sociologia, psicologia,
filosofia e teologia.

Antes do 25 de Abril escrevia e apresentava o programa quinzenal
“Crítica Literária” na antiga Emissora nacional, além das mais de três
décadas de crónica semanal “Textos e Pretextos”, na Rádio Renascença.
Na Fundação Calouste Gulbenkian trabalhou intensamente, realizando fichas
de leitura que podem ser apreciadas pela qualidade e fiabilidade literária
atribuídas e que podem ser consultadas no site da instituição.
Foi também um colaborador assíduo da Enciclopédia Verbo.
Como professor, consagrou-se um grande mestre de língua e literatura latina
e grega nos Jesuítas (Guimarães e Soutelo) e em Lisboa, onde leccionou no
Seminário dos Olivais, onde granjeou a estima e admiração dos alunos e
colegas, sendo frequentemente também convidado para conferências, palestras e
retiros espirituais.
Humanamente distinguiu-se pela simplicidade, espontaneidade e afabilidade
cativantes. Estas características nobres, associadas à altíssima bagagem
cultural permitiram que se relacionasse com grandes personalidades da
literatura e intelectualidade, como José Régio, de quem foi bom amigo, Júlio
Pomar, Ramalho Eanes e Vitorino Nemésio.
O seu nome vem mencionado algumas vezes no Dicionário de Literatura –
direcção de Jacinto Prado Coelho – e no Dicionário Cronológico de Autores
Portugueses, organizado pelo Instituto Português do Livro e das Bibliotecas
(IPLB).
Colaborador do jornal “O Renovador”, nos seus artigos realça a paisagem
bucólica e as personalidades típicas e pitorescas da terra em que viveu a sua
infância a que chamou “Aguarelas”.